
Imagine a cena: você começa a apresentar alguns sintomas que lhe preocupam e depois de procurar por respostas, você recebe um diagnóstico de uma doença crônica. Junto com o diagnóstico você começa a entrar em contato com um mundo de informações sobre tratamento, mudanças de hábitos, cuidados necessários, etc.
Como você se sentiria? Provavelmente assustado, confuso, perdido, angustiado…
Diante disso, você procura por informações na internet, com o auxílio de inteligências artificiais, junto aos amigos, interroga os profissionais de saúde e ainda assim suas dúvidas persistem e elas alimentam seus medos. A ausência ou as lacunas na informação, nos conhecimentos e saberes só potencializam os sentimentos negativos sentidos desde o início e você permanece se sentindo perdido.
Agora imagine se desde o princípio, lá no diagnóstico, você tivesse tido acesso a um processo de acompanhamento voltado para a compreensão da sua condição, fazendo com que a sua tomada de decisões sobre a sua saúde, o seu cuidado e o seu cotidiano de vida fosse feita com clareza, segurança e autonomia?
Com certeza você se sentiria mais calmo, seguro e confiante no tratamento e nos profissionais.
E se nesse processo de acompanhamento, tudo o que você aprendeu sobre a doença e sobre o seu próprio cuidado a partir das experiências vividas fosse reconhecido pelos profissionais e incorporado ao seu tratamento? Com certeza, você se sentiria ainda mais valorizado, respeitado e empoderado.
Pois bem, tudo isso é possível e existe uma abordagem dedicada a esse trabalho: a Educação Terapêutica de Pacientes (ETP).
A ETP pode ser entendida como um processo de reforço da capacidade da pessoa que convive com um adoecimento crônico e/ou do seu acompanhante para cuidar da condição de saúde que o(s) afeta(m), com base em ações integradas ao projeto de cuidado. Trata-se de uma abordagem que considera os conhecimentos e saberes dos pacientes e cuidadores como elementos que devem ser valorizados e incluídos nas ações de saúde para a construção de um cuidado integral.
Por meio da ETP é possível integrar ao tratamento, um processo de acompanhamento educativo destinado a aumentar o nível de literacia em saúde, ou seja, que visa fortalecer a capacidade de pacientes e cuidadores de obter, compreender, avaliar criticamente e usar informações sobre saúde para tomar decisões informadas sobre o seu próprio bem-estar e de quem é cuidado. Uma vez bem informado, empoderado e valorizado nos seus saberes, o paciente adere melhor ao cuidado proposto. Ou seja, cuidar da literacia do paciente tem impacto direto na adesão ao tratamento, que é uma preocupação central nos sistemas de saúde.
Por exemplo, um estudo populacional dinamarquês envolvendo quase 30 mil pessoas com doenças crônicas mostrou que entre 30% a 40% dos pacientes têm dificuldade para entender as informações sobre sua doença e o tratamento, com variações conforme o tipo de doença, como é o caso das doenças mentais em que esse percentual se eleva a 40%[1].
Já no Brasil, uma análise feita nos dados oriundos da Pesquisa Nacional sobre Acesso, Utilização e Promoção do Uso Racional de Medicamentos (PNAUM), mostrou que prevalência de baixa adesão ao tratamento farmacológico de doenças crônicas foi de 30,8%, sobretudo entre pessoas que convivem com três ou mais doenças, com baixo nível de escolarização, que apresentaram uma pior autopercepção da saúde, que referiam limitação causada por uma das doenças crônicas e que faziam uso de cinco medicamentos ou mais[2].
Nesse contexto, a ETP vem a ser uma poderosa estratégia para combater a baixa adesão ao tratamento, fortalecer a autonomia do paciente e construir uma verdadeira aliança de cuidado e de aprendizado entre profissionais e pacientes.
Se esse tema lhe interessou, a Muttara pode lhe ajudar.
[1] Friis, K. et. al. Gaps in understanding health and engagement with healthcare providers across common long-term conditions: a population survey of health literacy in 29 473 Danish citizens. MJ Open 2016;5:e009627. doi:10.1136/bmjopen-2015-009627
[2] Tavares, NUL. et. al. Fatores associados à baixa adesão ao tratamento farmacológico de doenças crônicas no Brasil. Rev. Saúde Pública 50 (suppl 2) • 12 Dez 2016 • https://doi.org/10.1590/S1518-8787.2016050006150


