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Ano novo: um convite a aprender a partir do vivido

           

Enfim um novo ano inicia-se e mais um período de 365 dias recomeça, nos quais a vida se apresentará em toda a sua potência: encontros e desencontros – ordinários e extraordinários – que desencadeiam alegria, excitação, dor, raiva, angústia, solidão, conquistas, vitórias, derrotas, amor, certezas, incertezas, choro, riso, abraços e beijos. Em cada um deles, mora a possibilidade de construirmos um aprendizado experiencial sobre nós mesmos, sobre a nossa maneira de agir, de reagir, de sentir, de perceber, de pensar.

Vale reforçar: é uma possibilidade, jamais uma certeza.

Mas, por que?

Pois a experiência, para que ela se torne um aprendizado a ser integrado no nosso arsenal de saberes experienciais necessita ser percebida, refletida, elaborada. Ou seja, não basta vivê-la, é preciso apreciá-la e fazer dela matéria-prima de trabalho.

Para entender um pouco mais sobre esse processo, convido o leitor a dirigir o olhar, junto com o nosso, para um hábito muito comum no início de um novo ano: a busca por mudança. Parece que o início de uma nova volta ao sol vem acompanhado da esperança de que a mudança – de um hábito (fumar, comer, beber, dormir, etc.), de uma moradia, de um emprego, de uma companhia, de uma cidade, de um país… – vai, enfim, ganhar corpo e se tornar uma realidade.

No entanto, é bastante comum vermos no avançar dos dias, semanas e meses a potência da mudança perder força, o aborto dos planos sonhados, ora esquecidos, ora deixados de lado diante das dificuldades que se apresentam no caminho. Tristeza e desmotivação convivendo com o desejo de manter a mudança viva a duras penas.

Ao final dos 365 dias, um novo mês de dezembro vai chegar e mais uma vez a cantora Simone vai nos perguntar: “e o que você fez?”.

Para muitos a pergunta será um disparador de frustração. Mas, sem querer deixar a peteca cair, lá vamos nós para mais um ano de planejamento ao estilo “o brasileiro não desiste nunca”.

Antes que esse ciclo se repita, ou que na sua cabeça você se veja dizendo “não, esse ano será diferente, eu vou conseguir”, convidamos você a colocar de lado a linha reta imaginária, que parece existir entre todo plano e sua realização, para encarar que entre você e seu objetivo haverá sempre uma série de experiências, cada uma com as suas características de impulsionar ou frear o processo de mudança desejado. Diante delas, fica o convite a refletir: O que elas querem dizer para você? Para onde elas querem que você olhe para ver o que precisa ser visto para que a mudança comece acontecer? Qual sentido você atribui a elas? Como elas podem se tornar suas aliadas na caminhada? Quais tomadas de consciência elas contém?

Buscar responder a essas questões é se abrir para o aprendizado experiencial e ampliar o arsenal de saberes que você carrega consigo. Por vezes, esses saberes chegarão e retirarão as velhas certezas do lugar, por outras, eles vão levar você a perceber o que estava escondido, abrirão portas, janelas, expandindo perspectivas. Seja qual for o resultado, será positivo.

Assim, mais do que planos realizados, desejamos novos aprendizados adquiridos no novo ano que se inicia e que eles sejam passarela, ponte e alavanca nos próximos 365 dias.

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